25.1.11

Paciência, Iracema

Na primeira vez que fui a São Paulo, me perdi na rodoviária. Eu e mais uns. Depois fomos lá para o centro nos defumarmos.
Visitávamos tudo que podíamos gastando pouco e à noite chegávamos numa casa de estudante tomada. Parecíamos filtros de ar-condicionado.
A casa, só pra terem uma ideia, ficava no Cambuci. Pagávamos uma pataca pra dormir e nos tocávamos para a rua. São Paulo não parava. E nunca terminou.
Abrir a Folha de São Paulo e saber que a gente estava ali e não lá longe, no fim do mundo. Isso era um sentimento concreto.
Um dia o pessoal da casa de estudante nos deu um baseado de Santos. Ficamos horas de metrô pra lá e pra cá. Eu me senti um astronauta.
Lembro de ir no MASP e não conseguir mais sair de lá. Aquilo ali é a minha ideia de presídio.
Lembro de ver a foto imensa do estranho Cortázar tomando a página da Ilustrada. Morto na véspera, ele estava mais vivo do que nunca.
O formigueiro humano do Viaduto do Chá te transforma numa folhinha nas costas de uma formiga.
Sampa já era música-hino da cidade. Mas foi quamdo ouvi Iracema que tive uma aula de história. Adoniran é gênio.
Outras vezes fui a São Paulo, mas a primeira é uma viagem em que não se volta pela mesma rodoviária por onde se perdeu.

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