30.10.11

Nunca

Ela andava com a nuca sempre exposta.


Se não fosse devorada com os olhos várias vezes, emputecia.


A nuca daquela mulher, cheiro de cacau e coxas, impregnava quem a comia.


Morena, esmaecida, esguia, rija e de penugem só perceptível a quem lhe encostava as narinas.


Ao ser lambida e beijada e lambida e beijada, se contorcia e escorria num rio.


A nuca que nunca bebi.

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