As datas comemorativas do calendário têm várias razões de existir e elas se dividem em históricas, políticas, sócio-culturais, comerciais ou sem razão alguma - como 18 de agosto, Dia do Estagiário, 25 de junho, Dia do Cotonete e 13 de agosto, Dia Internacional dos Canhotos, só pra citar algumas esquisitices inexplicáveis.
O surgimento da data que relatamos aqui, no entanto, tem origem muito mais pitoresca. Foi uma mistura do inusitado com uma hilariante curva do destino. Um certo artefinalista, curiosamente, recebeu convite para conhecer as instalações de um dos clientes da agência. Dizemos curiosamente porque, apesar de ser o profissional que fecha a conta e passa a régua nos trabalhos, o artefinalista não consta de fichas técnicas, não participa de brains, não é convidado para os festerês e, mesmo que vá, não costuma pegar ninguém, porque as marias-layout o colocam abaixo do assistente em escala de interesse.
Como o cliente em questão era um parque automobilístico, a visita incluía uma corrida de kart. O evento animou, principalmente, o dono da agência, candidato a subir no cubo mais alto do pódium, e o pessoal do planejamento, que montou uma estratégia de guerrilha que julgavam vencedora. A criação foi mais pra curtir a paisagem e, quem sabe, ter umas sacadas durante o percurso ou simplesmente se livrar da pauta quase sempre engarrafada.
Lá pelas seis da tarde, a turma partiu animada para o kartódromo, com o artefinalista tendo que ouvir, muito a contragosto, os comentários do redator sobre os front lights que transformam Canoas em uma via crucis estética, um verdadeiro parangolé rodoviário que bem poderia estrelar na Bienal. Passado o corredor polonês canoense, os pilotos fardaram-se, assistiram ao briefing fazendo gracinhas e foram para a pista. As voltas de tomada de tempo confirmaram o favoritismo do boss, o polie position, com o atendimento na sua cola. O artefinalista, que nunca havia dirigido um kart, conquistou apenas uma colocação de quinta, digna de um Massa.
É dada a largada. Os karts partem, uns velozes e furiosos, outros nem tanto, como a Penélope Charmosa do atendimento, que passeia e distribui acenos aos colegas como quem entrega PITs raros, sem urgência alguma. Depois de algumas voltas, começa a chover. Erros se sucedem De repente, movido apenas pelo combustível do seu anonimato e seu espírito lúdico ímpar, o artefinalista conquista a ponta. O boss e a turma do planejamento passam a persegui-lo, na certeza de que logo o ultrapassarão. A diferença entre eles é só no visual, como diria o mala do Galvão Bueno. Eles concentram-se, buscam a ultrapassagem e nada. O artefinalista dispara, deixa toda a agência para trás e corre para os braços da vitória e da consagração.
Depois da bandeirada final, a turma se encontra junto ao pódium. Sorridentes e surpresos, todos parabenizam a conquista do nosso heroi. O poderoso chefão da agência e os planejadores amargam uma derrota inesperada e propõem um novo desafio, para breve. É feita a foto da vitória, que logo irá parar na internet, colecionando comentários.
O acontecimento inusitado em 13 de outubro de 2011 marcou o surgimento do Dia do Artefinalista, que já nasceu rindo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário