12.1.10

Isoporzinho

Entre uma multidão de imagens, lá está ela, a foto que resume o ano. É sempre assim, lá por dezembro, junto àquelas interessantíssimas retrospectivas. O ano de 2010 será uma exceção neste aspecto. A imagem do ano já se revelou no início de janeiro. Dificilmente outro clic conseguirá congelar o mesmo efeito visual, pelo menos para quem vive na corte dos Silva. E não se trata do Homer Silva ou Lula Simpson de sunga na praia. Essa até que é divertida ao mostrar-nos o sorridente seminu presidencial e sua forma física de glutão emergente, mas o mesmo personagem carregando o seu isoporzinho tem muito mais significado. E mistério.

Pode ser interpretado como a confirmação de que Homer Silva é mesmo um homem do povo, de hábitos simples, que dispensa a mordomia e age como outra pessoa qualquer. Tente imaginar Barak Obama fazendo a mesma coisa. Não dá, nem se o vasilhame em questão acomodasse champagne. Barak Obama é um personagem muito bem ensaiado e interpretado por um ator e uma escola de teatro político que não aprecia improvisos. Nosso Lula Simpson adora uma frase lascada de última hora e um gesto impensado para saciar a sede da mídia.

Há quem diga que a foto confirma sua nobreza, que ele é um gentleman. Além de pegar no pesado (e no gelado) como seus assessores, ele está à frente de sua esposa, poupando-a de qualquer esforço durante o período de férias presidenciais.

Por outro lado, pode ser visto também como a confirmação de que, entre a esposa e a bebida, ele se abraça nessa e vai pra longe da outra. O hábito teria sido adquirido no tempo em que as peladas de meio-dia eram seguidas de sessões embriagantes nos botecos de São Bernardo. E confirmadas agora, numa beira de praia do Guarujá ou um boteco em São Bernardo.

Há também a tese de que Homer Silva é um visionário, capaz de tirar da caixinha geniais lances de marketing político. Seu isoporzinho seria, na verdade, uma metáfora tridimensional para o mundo, para seus eleitores, aliados e adversários: nós temos isopor, nós temos petróleo, nós temos a Petrobras, nós temos votos.

Assistir a essa trama enquanto ela se desenrola é bem mais divertido do que aguardar a versão de dona História. Numa democracia, deveríamos esperar outras coisas daqueles que elegemos para nos governar, mas como o que geralmente vem deles é o que bem sabemos, ao conseguirmos dar uma boas risadas com suas atitudes mais banais não estamos aprendendo nada nem ajudando a melhorar o tal do mundo. Estamos apenas carregando o nosso isoporzinho, sem fotógrafos à espreita. No máximo um desses familiares ou amigos que criam comunidades sociais obesas, de tanto que as alimentam de lixo fotográfico caseiro.

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