Quem entrou no site Fuck Yeah Diretor de Criação RS (barbaramente censurado) para xingar as figurinhas que lá estavam, reclama de barriga cheia. Ninguém foi mais déspota como dono e diretor de criação do que o Cramulhão. Você pode achar que esta ou aquela carinha que esteve por algumas horas no site é a de um maníaco e ególatra insuportável. Tem uns que são mesmo. Mas o Cramulhão vai além de todas as expectativas de egocentrismo combinado com paranóia, neurose, psicose, delírio e paranormalidade.
Vamos aos fatos. Em que agência você já ouviu falar que houve ou há um passarinho numa gaiola para cada um dos membros da criação? Na agência do Cramulhão, no meio dos anos 90, era assim. Na sala ao lado da criação, diversas gaiolas alojavam pássaros-avatares. Cada vez que um dos membros da criação era demitido ou batia em retirada do campo de batalha, um respectivo animalzinho de asas era degolado em um ritual noturno satânico.
O mais famoso de todos foi o Pássaro Preto. Ele foi o avatar de um dos mais ilustres membros da criação, um redator que contava com o apreço do chefete doidivanas. Era o pássaro-avatar mais visivelmente estressado, tal e qual o humano que representava. Por estar em uma gaiola excessivamente reduzida para o seu porte, ele se debatia e roçava a cabeça no teto da gaiola, o que lhe deu uma calvície idêntica a do seu representado. A razão do estresse vinha do fato dessa pessoa ser o alvo de todas as cobranças que o Cramulhão dirigia à criação. Em alguns casos, chegava a servir de saco de pancada e repositório de insultos. Isso acontecia quando o Cramulha queria agredir violentamente algum dos seus colaboradores, sem se dirigir ao mesmo, pois havia precedentes de convocação para o tabefe, com a anuência dos que estavam no entorno, que teriam fechado a porta. Na ocasião, apesar do porte monstruoso, o Cramulhão teria dado no pé, covardemente.
As cobranças ao homem do Pássaro Preto logo avançaram para a esfera pessoal. Sabendo da condição de longínquo noivo de seu colaborador ilustre, do amor que nutria por sua futura senhora e do desejo de constituir família e ter muitos filhos, o Cramulhão exigiu casamento em breve e se autodenominou padrinho do enlace. Depois de muita angústia, noites sem dormir e com o apoio dos colegas, o homem do Pássaro Preto conseguiu assumir toda sua masculinidade e declarou que não aceitava aquilo. Mágoa profunda. Talvez, naquele instante, o poder do Cramulhão tenha começado a definhar. Ele nunca mais seria o mesmo filho da puta.
Mas as peripécias desse demônio não paravam por aí. Uma vez por semana, pelo menos, ele arremessava o celular (naquela época, com tamanho e peso de uma arma) em alguém, numa diatribe qualquer no trânsito. O Cramulhão também possuía alcaguete na criação, um peruano da Bolívia que, ao ser descoberto, só não foi linchado porque virou Mata Hari. Era também comum que o Cramulhão escapasse de atentados. Não por ter o corpo fechado ou andasse em carro blindado, mas porque seu sócio avisava quando algum namorado de uma colaboradora, que havia sido chamada de prostituta pra baixo, aparecia na agência para tirar satisfações munido do inquestionável argumento conhecido como 38.
Por isso, e por muito mais, se o Fuck Yeah Diretor de Criação RS acontecesse naquele época, o Cramulhão receberia a maior coleção de insultos do mercado publicitário gaudério, uma vez que o anonimato protegeria a todos do resto de fúria que sempre dormita em uma mente doentia.
Propaganda light, hoje esse filha da puta loco, tá com a palavra propaganda. E cheio de processos trabalhistas na cola.
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