21.11.12

O Galpão da Propaganda

Já que nós, gaúchos, somos melhores e diferentes em tudo, que cada uma de nossas empresas alardeia o marketing da bombacha aos quatro ventos, com o Minuano lá no Top of Mind; já que nossas marcas são tisnadas a ferro em brasa na mente dos conterrâneos e até nos estrangeiros que vêm pra cá, que se apaixonam pelas nossas mulheres e não querem mais sair; já que nossas instituições exibem, orgulhosamente, o brasão e estampam nossas cores em todas as suas campanhas publicitárias; já que o nosso banco é melhor porque é nosso; já que nossos times de futebol só não conquistaram mais títulos porque os paulistas e os cariocas são uns invejosos e sempre dão um jeito de nos roubar; já que cada um de nós, no fundo, no fundo, no fundo, faz piada com os catarina, zeladores do nosso verdadeiro litoral; então, meu velho, já que o trilho do trem é esse, que é por aí o trote do cavalo, o nosso mercado publicitário está na contramão da nossa história, que é a única que interessa. Está na hora de botar o relho na mesa – em respeito às prendas que estão lendo este manifesto – e perguntar: que negócio é esse de imitar a festinha cannina dos franceses azedos ou o glamour jeca hollywoodiano? É hora de dar um basta nisso, tchê. Temos que assumir o nosso gauchismo, abolir a ARP de vez - não sem antes distribuir uns títulos de sesmaria aos que lá passaram por serviços prestados - e criar o Centro de Tradições Publicitárias Gaúchas. A primeira inciativa bombástica do CTPG seria fechar a porteira do Salão da Propaganda, que ficou muito afrescalhado, e criar o Galpão da Propaganda. E nada de palestrinha. Gaúcho que é gaúcho sabe das coisas e não precisa ficar de papo furado nem de trololó. Entra na roda de chimarrão pra contar vantagem e mentira, que é tudo a mesma coisa. E tem mais: pra que trazer gente do estrangeiro pra cá se eles não têm nada a nos ensinar? O Galpão da Propaganda seria um arrasta pé dos mais cuiudos, com a OSFA (Orquestra Sinfônica dos Fagundes) fazendo uma abertura épica e triunfal com o nosso hino. O encerramento teria o Canto Alegretense, entoado à moda MPG, a música popular mais bonita de todas. Na ocasião, seria lançado o livro Ideias Macanudas, com as ideias mais criativas de todos os tempos. Como gaúcho que é gaúcho gosta de festa mas também fica todo faceiro com um lustro no ego, o Galpão da Propaganda teria uma programação de prêmios, nas seguintes categorias: Melhor Campanha do Planeta, Arremesso de Briefing, Melhor Layout de Prenda, Jogo do Título de Osso, Melhor Causo de Marketing, Maior Logo, Melhor Design de Bolicho, Melhor Capataz de Agência, Melhor Peão Arte-finalista, Melhor Estância Virtual, Cancha Reta de Prazos Urgentes, Publicitário Gaudério do Ano e o Grade Prêmio Pelego de Ouro. A estatueta entregue aos gaúchos mais destacados no  Galpão da Propaganda seria o Laçador de Ideias e cada um dos participantes receberia uma versão do mesmo em rapadura. Pra não ficarem dizendo por aí que a gente é bairrista, o CTPG organizaria uma singela cavalgada pelo mundo para compartilhar a nossa experiência e enriquecer outras culturas, que ainda meio pobrinhas. Afinal, em matéria de network e redes sociais, fomos os primeiros pioneiros, pra deixar bem claro. Ou tu achas que o gaúcho andava pra lá e pra cá por estes pagos só por vagabundagem e pra correr china? Era para espraiar a nossa cultura, tchê. E é por isso que a nossa publicidade precisa fazer esse upgrade que, na linguagem gaudéria, nada mais é do que entrar nos eixos ou tomar uns cascudos. 


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