25.11.12

Silêncio, por favor


 Engana-se redondamente quem pensa que Luis Fernando Verissimo é um ensimesmado. Seu silêncio vem do fato de olhar muito para fora. Quem faz isso com frequência acaba cultuando um certo rigor expressivo, uma calma frasal, para não cometer o desatino de expelir colocações apressadas. É dessa semente que vem seu humor sutil, por vezes aparentemente inofensivo. Todos aqueles que são mui falantes e barulhentos costumam olhar apenas para dentro. Vem daí sua metralhadora verbal. Seu deleite consigo mesmo duela o tempo todo com as observações mais escandalosas sobre a sua intimidade. LFV, não. LFV nos mira. No mais elegante silêncio. E, tomara, logo, logo, sem aparelhos.

Paulo Santana é seu antônimo mais notório. Não só escreve verborragicamente como se comporta como um falastrão de primeira grandeza. Seu discurso se origina, visivelmente, numa inconformidade consigo mesmo, em celeumas que vêm do seu ínterim, jamais do objeto que mira, seja ele o Grêmio, um show de Julio Iglesias ou a indesejável de todas as gentes.

Só havia entre nós um que se postava exatamente entre os dois. Moacyr Scliar. Este tinha as capacidades de escrever e de falar quase no mesmo tom.

Não há que escolher nenhum deles. Há mais que lê-los do que ouvi-los. Por que é a escrita que revela o melhor de cada um deles, algo que trazem ou de dentro ou de fora, mas que não importa tanto a origem. Importa, sim, o fato de nos entregarem um presente que não esperamos, que devemos fazer por merecer.

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