O chato é aquele cara que dá mais importância a você do que você mesmo. Sabe como é, né? Repete uma fala várias vezes, tece elogios a si mesmo sem parar, lê o Facebook em voz alta, pede sua opinião, pede de novo e, isso é muito importante, o cutuca com o dedo no braço ou, muito pior, coloca o braço sobre você ao falar quase no seu ouvido algo que ele julga ser maravilhoso, afinal, é sobre ele mesmo. E não pense que essa pessoa tão intempestiva faz isso porque o admire. Por favor, você não está mais no colegial. Não banque o palerma.
O que acontece é bem fácil de explicar: a chatice é um talento inato que impede que outras qualidades brotem, cresçam e sejam lapidadas ao longo da vida. Ao mesmo tempo, num contraponto triste e até mesmo trágico, a chatice potencializa todos os defeitos mais irritantes que aquela pessoa viria mesmo a ter, mas que, com o tempo, poderia corrigir.
Portanto, ao chato, resta despejar-se sobre os outros como uma cachoeira humana para tentar atrair a atenção que você nem ninguém, de forma alguma, deseja dispensar a ele, afinal, quem quer a companhia de um ser inoportuno, maçante, aborrecido e monótono, o popular piolho de púbis?
Em resumo, um chato é insuportável. Dois chatos, tomara que se deem bem.
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