Porto Alegre é uma
cidade cheia de publicitários. Tem um em cada escritório, se ele for pequeno.
Tem um em cada sala de um escritório grande. Se bobear, numa reunião, todos em
volta da mesa serão, obviamente, publicitários. Mas
a extensão epidêmica não para por aí. No elevador, claro, tem publicitário. Na
fila do cinema. Os shoppings estão lotados de publicitários passeando por seus
corredores, mirando-se em suas vitrinas, deliciando seus olhos com os letreiros
luminosos. No bar, meu amigo, tem publicitário até dentro da garrafa e do copo.
Tem garçon-publicitário, acredite. Ele traz a conta e aquele palpitezinho
básico. Quase ia esquecendo de mencionar que no banheiro do bar, também, lá
estão eles dando aquela olhadinha pro lado pra ver o tamanho da sua ideia. O
curioso nessa história é que esses publicitários sempre estão atrás ou em volta
das mesas das reuniões, nos telefonemas apressados, nos e-mails urgentes, nos
pitacos básicos de sempre, seja em que lugar for, mas nunca estão além do
expediente, quando o trabalho será realizado depois de ter enfrentado o pelotão
- não de fuzilamento, que publicitário não é dessas coisas - de fardamento e
uniformização das ideias. Agora sim, ao fim e ao cabo, elas podem sair pra
rua, todas bem bonitinhas e iguaizinhas.
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