26.12.12

fragmento


a única forma de escapar da realidade
é pelo alçapão da imaginação
tem gente que apalpa e apalpa e nada
conheço quem pisca e some
sei de gente que faz mais
inventa o alçapão por onde entra
cada um tem seu jeito
de repente você tropeça e cai lá
no lugar que tem cheiro de onde que ninguém vai
todas as paredes da realidade ruíram
você entra em estado de fantasma
o corpo não é mais nem pó
repousa sobre um chão sem terra
tudo que há é por inventar
o sentimento
o pensamento
o momento
o riso
a náusea
o gozo
o medo
a dor
a flor
a rima que não serve pra nada
quando de lá você retorna
não pode contar com a prosa
não tem em mãos fotografias
não traz um quadro com a tinta fresca
apenas o invisível
e sua mímica

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