A mídia alerta o jovem sobre as drogas, os vírus letais, a violência, o
perigo de dirigir depois de beber, o tecnostress, a dengue, entre outras
coisas. Só não alerta contra os excessos que ela mesma promove ao transformar
notícias em espetáculos e abandoná-los assim que a bilheteria começa a
registrar números menores. Seria o supremo gesto de mea culpa, de
reconhecimento do seu papel na sociedade, se ela fizesse uma autocrítica livre
de interferência interna, na verdade, mera censura ao leitor que resolve se
expressar. Mas quem trabalha no ramo ou quem o conhece um pouco por dentro sabe
muito bem que isso jamais acontecerá. A mídia teria que estar tomada por um
espírito muito franciscano para fazer isso, porque ela está sentada sobre uma
mina de ouro. As tragédias, hecatombes e desgraças de todas as naturezas
acontecem cada vez mais e a mídia não arca com custo algum de suas produções,
afinal, eles surgem do acaso, do descaso, da indiferença, da injustiça, do
horror. Para a mídia, basta olhar, registrar, sublinhar, repetir, reforçar e
faturar. É por essas e outras que em quase todos os veículos a sede editorial
guia-se apenas e tão somente pela audiência. Não há outro critério que sirva
para avaliar o desempenho do que se está colocando no ar. Todos os apelos do
mundo para que a mídia não se comporte assim se desmancham no ar de uma reunião
de pauta, geralmente marcada por cobranças e mais cobranças para que se
conquiste o público, custe o que custar.
Custe o que custar II
Se você tem dúvida sobre esse assunto, se não sabe onde termina o jornalismo e onde começa um dos parques de diversões mais lucrativos do planeta, isso é normal. Todo mundo se confunde e até acaba sendo afogado por uma dessas ondas, porque elas são gigantes. Mas existem maneiras de perceber se o que está sendo noticiado é pela notícia ou pelo espetáculo. Uma fórmula bem simples: você abre o site de um jornal e TODA a sua capa falar apenas da tragédia de ontem. Isso NÃO é jornalismo. Isso é terror servindo ao entretenimento. Outra maneira: durante uma tragédia, um programa de entretenimento interrompe suas transmissões (ao vivo ou gravadas, não importa) para acompanhá-la de perto, com direito a perguntas do tipo “o que você está sentindo agora?” Isso NÃO é jornalismo. Isso é ganância. A função de noticiar é dos programas de jornalismo, não de apresentadores e animadores de claque. E uma das maneiras que existem de tentar impedir isso também é muito simples. Você não assiste, a audiência cai e isso não se repete nunca mais. Custe o que custar, também não custa sonhar.
Se você tem dúvida sobre esse assunto, se não sabe onde termina o jornalismo e onde começa um dos parques de diversões mais lucrativos do planeta, isso é normal. Todo mundo se confunde e até acaba sendo afogado por uma dessas ondas, porque elas são gigantes. Mas existem maneiras de perceber se o que está sendo noticiado é pela notícia ou pelo espetáculo. Uma fórmula bem simples: você abre o site de um jornal e TODA a sua capa falar apenas da tragédia de ontem. Isso NÃO é jornalismo. Isso é terror servindo ao entretenimento. Outra maneira: durante uma tragédia, um programa de entretenimento interrompe suas transmissões (ao vivo ou gravadas, não importa) para acompanhá-la de perto, com direito a perguntas do tipo “o que você está sentindo agora?” Isso NÃO é jornalismo. Isso é ganância. A função de noticiar é dos programas de jornalismo, não de apresentadores e animadores de claque. E uma das maneiras que existem de tentar impedir isso também é muito simples. Você não assiste, a audiência cai e isso não se repete nunca mais. Custe o que custar, também não custa sonhar.
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